
"Desculpa todos estes dias de ausência, mas preciso abrandar, talvez mesmo parar".
"Mas podias pelo menos ter mandado um email ou um pombo correio, ou algo do género", disse Adrian.
"Tens razão, desculpa. Eu entendo se não quiseres voltar a falar comigo ou ser mais meu amigo".
"NÃO... não é nada disso, só que fiquei preocupado". Respirou fundo e perguntou baixinho "Estás a desistir de viver?".
"Não é desistir de viver - tu sabes que eu sou corajosa...e obstinada e determinada e todos os outros adjectivos que possas associar a alguém que sonha muito - é apenas desistir de viver essa parte da minha vida, a parte sentimental".
"Mas podias pelo menos ter mandado um email ou um pombo correio, ou algo do género", disse Adrian.
"Tens razão, desculpa. Eu entendo se não quiseres voltar a falar comigo ou ser mais meu amigo".
"NÃO... não é nada disso, só que fiquei preocupado". Respirou fundo e perguntou baixinho "Estás a desistir de viver?".
"Não é desistir de viver - tu sabes que eu sou corajosa...e obstinada e determinada e todos os outros adjectivos que possas associar a alguém que sonha muito - é apenas desistir de viver essa parte da minha vida, a parte sentimental".
Uma brisa fria passeou à sua volta e ela apertou ainda mais o casaco junto ao corpo. Olhou para o céu esperando por algo, como se estivesse numa paragem de autocarro e aguardasse desesperadamente um pássaro que a levasse dali.
Esboçou um pequeno sorriso e continuou "Sabes, já tive tantas desilusões e apesar da minha força de espírito, sinto-me cansada, muito cansada. E depois não quero fazer do amor algo banal, do género 'este não funcionou, partimos para outro e depois outro', e assim sucessivamente, numa estrada de ensaios e tentativas falhadas. De que serve passar a vida a tentar, só para se dizer que se tentou, se nunca vamos concretizar nada. Não, não vou fazer do amor algo banal, como se fosse uma roupa gira que vestimos e que ao fim de um ano passa de moda".
Esboçou um pequeno sorriso e continuou "Sabes, já tive tantas desilusões e apesar da minha força de espírito, sinto-me cansada, muito cansada. E depois não quero fazer do amor algo banal, do género 'este não funcionou, partimos para outro e depois outro', e assim sucessivamente, numa estrada de ensaios e tentativas falhadas. De que serve passar a vida a tentar, só para se dizer que se tentou, se nunca vamos concretizar nada. Não, não vou fazer do amor algo banal, como se fosse uma roupa gira que vestimos e que ao fim de um ano passa de moda".
Suspirou profundamente e levantou o olhar até estar de frente para os seus grandes olhos verdes, e disse "Bolas, não queria ter de dizer isto...mas sabes, ainda acredito em almas gémeas, em amor para toda a vida, em amor que se fortalece com as tragédias da vida em vez de definhar. É uma fantasia infantil eu sei. Eu devia era estar fazer o que toda a gente apregoa à boca cheia, aquela coisa do carpe diem e essas tretas todas dos livros de auto-ajuda. Como se a vida fosse só hoje e nada mais interessasse...como se a paz fosse possível quando se está apaixonado por algo ou alguém".
Houve um silêncio longo como uma aceitação do que acabara de ser admitido, e por fim, hesitante, ela disse "Agora tenho ir. Não esperes mais por mim porque não sei quando regresso. Vou parar e descansar. Vou viver daquilo que existe em mim, alimentar-me desse sentimento por uns tempos. Vai ser bom não esperar nada de ninguém a não ser de mim própria. Vai ser como estar adormecida ou anestesiada. Como ver o mundo numa tela de cinema sem que o mundo me veja ou sequer me possa tocar. Assim talvez possa ter alguma paz". E sem mais demoras foi-se embora.
Ele começou a levantar a mão numa tentativa de lhe afagar o rosto, como se ainda houvesse tempo, como se isso fosse possível. Abanou a cabeça. Ele sabia que aquilo era apenas uma conversa online e apesar de ainda ter no écran à sua frente uma janela com o avatar dela, ela já lá não estava.
Voltou a pousar as mãos no teclado e escreveu "Tu queres desistir de viver e eu quero tanto viver para ti...".
Houve um silêncio longo como uma aceitação do que acabara de ser admitido, e por fim, hesitante, ela disse "Agora tenho ir. Não esperes mais por mim porque não sei quando regresso. Vou parar e descansar. Vou viver daquilo que existe em mim, alimentar-me desse sentimento por uns tempos. Vai ser bom não esperar nada de ninguém a não ser de mim própria. Vai ser como estar adormecida ou anestesiada. Como ver o mundo numa tela de cinema sem que o mundo me veja ou sequer me possa tocar. Assim talvez possa ter alguma paz". E sem mais demoras foi-se embora.
Ele começou a levantar a mão numa tentativa de lhe afagar o rosto, como se ainda houvesse tempo, como se isso fosse possível. Abanou a cabeça. Ele sabia que aquilo era apenas uma conversa online e apesar de ainda ter no écran à sua frente uma janela com o avatar dela, ela já lá não estava.
Voltou a pousar as mãos no teclado e escreveu "Tu queres desistir de viver e eu quero tanto viver para ti...".
Logoff.
Levantou-se da janela, atirou o pc para cima da cama e ficou ali parado por um instante a olhar a rua. Algo mudara naquele instante. O reflexo do sol nas folhas das árvores parecia-lhe agora baço. Depois baixou o olhar, meteu as mãos nos bolsos dos jeans velhos e saiu porta fora.
Levantou-se da janela, atirou o pc para cima da cama e ficou ali parado por um instante a olhar a rua. Algo mudara naquele instante. O reflexo do sol nas folhas das árvores parecia-lhe agora baço. Depois baixou o olhar, meteu as mãos nos bolsos dos jeans velhos e saiu porta fora.