Há uma rua na minha cabeça chamada esperançaContorna-me os olhos com malícia
Invade-me a boca descontroladamente
Invade-me a boca descontroladamente
...ânsia, desejo ardente, incerteza...
Desce aos pulmões e sufoca-me
No coração… faz um curva apertada no coração
Nas aurículas é uma auto-estrada sem limite de velocidade
Num túnel a 200 kms hora
Tutum...bumbum...cabum
Palpitações a disparar todos os radares do corpo
Vira logo à direita e
Atinge-me o estômago em cheio
Borboletas de ferro num murro ko
Caio ao chão
A rua avança pela coluna como uma serpente ondulando
(pensar-se-ia que é um tremor de terra)
Eleva-me novamente
Com malícia
…é uma falsa…
Depois perde-se pelas mãos magras e quase sempre vazias.
*
Há um movimento que fazias com o braço direito quando giravas o volante do carro e que faz parte da minha memória de ti.
Era um movimento amplo, como se acompanhasses com a mão o percurso do sol pelo céu azul
Embora, certamente, muita gente faça o mesmo eu nunca vi ninguém repetir esse gesto… até hoje, quando te vi a desenhar um arco no ar do meio-dia.
Mas não era o sol que a tua mão acompanhava, era talvez um pensamento vago que enxotavas ou a dor que tens colada a ti e à qual te foste habituando, era uma flor a sangrar que embalavas sem esperança.
Desce aos pulmões e sufoca-me
No coração… faz um curva apertada no coração
Nas aurículas é uma auto-estrada sem limite de velocidade
Num túnel a 200 kms hora
Tutum...bumbum...cabum
Palpitações a disparar todos os radares do corpo
Vira logo à direita e
Atinge-me o estômago em cheio
Borboletas de ferro num murro ko
Caio ao chão
A rua avança pela coluna como uma serpente ondulando
(pensar-se-ia que é um tremor de terra)
Eleva-me novamente
Com malícia
…é uma falsa…
Depois perde-se pelas mãos magras e quase sempre vazias.
*
Há um movimento que fazias com o braço direito quando giravas o volante do carro e que faz parte da minha memória de ti.
Era um movimento amplo, como se acompanhasses com a mão o percurso do sol pelo céu azul
Embora, certamente, muita gente faça o mesmo eu nunca vi ninguém repetir esse gesto… até hoje, quando te vi a desenhar um arco no ar do meio-dia.
Mas não era o sol que a tua mão acompanhava, era talvez um pensamento vago que enxotavas ou a dor que tens colada a ti e à qual te foste habituando, era uma flor a sangrar que embalavas sem esperança.
(A ausência é uma dor latente, uma moinha incómoda que não sabemos muito bem de onde vem. Quase sempre é o que nos embala o sono quando nada mais resta e a noite já vai alta.)