terça-feira, 31 de março de 2009

Jane Doe

O tempo é como um corpo amputado.
Há no tempo aquela constante sensação de presença mesmo quando ele se acaba. Sentimo-lo à nossa frente, flutuando como uma criança num baloiço, inebriante de trás para a frente (às vezes de frente para trás), sem fim. Há no tempo um membro dormente que dá vontade de afagar, sem preocupação, como se passeássemos a mão pelos cabelos de alguém dizendo "está tudo bem".

Mas o que fazer quando o tempo se esgota? quando a dormência acaba e só existe vazio. O que fazer quando o tempo se conta em meses ou até semanas? Quando as mãos começam a tremer e a caneta nos cai dos dedos. Quando as palavras já só podem crescer dentro das folhas brancas da nossa cabeça. O que fazer quando o tempo está contado e se torna um corpo inteiro e palpável? quando o tempo chega aos dedos e acaba ali na ponta das unhas e depois já não tem mais para onde ir...

segunda-feira, 23 de março de 2009


A escrita é a minha primeira morada de silêncio
a segunda irrompe do corpo movendo-se por trás das palavras
extensas praias vazias onde o mar nunca chegou
deserto onde os dedos murmuram o último crime
escrever-te continuamente... areia e mais areia
construindo no sangue altíssimas paredes de nada
esta paixão pelos objectos que guardaste
esta pele-memória exalando não sei que desastre



(Al Berto)

quarta-feira, 4 de março de 2009


this is the winter of my contentment
the sea of tranquillity and shadow
and though I am surrounded by mist
there is nothing but love inside me