
Eu sabia que virias.
Porque há dias que nem tu nem eu conseguimos deixar passar em branco.
Acordamos de manhã e a primeira coisa em que pensamos é na pessoa que representa aquele dia. Ainda deitados, imaginamos o que faríamos se essa pessoa estivesse ali do nosso lado, com que afago a acordaríamos, que palavras lhe segredaríamos ao ouvido para depois escondermos o rosto envergonhado na curva do seu pescoço. E depois olhamos pela janela e percebemos que aquele dia que começa é mais um dia da vida que escolhemos.
Erguemo-nos, como todos os dias dos últimos sete anos. Lavamos o corpo, mas na nossa alma o derrame continua. Apoiamos as mãos no vidro embaciado e deixamos a água fria escorrer pelo pescoço, sobre as costas, deslizando até às coxas, arrefecendo o corpo quente e pensamos…pensamos e desejamos ardentemente.
Vestimos a nossa roupa perfeitamente engomada e recordamos o cheiro do seu perfume misturado na nossa pele. Bebemos o café quente enquanto lembramos de uma mão a levar-nos um pedaço de pão à boca. E queremos imaginar tudo o que poderíamos ter vivido juntos, mas não conseguimos.
Respiramos fundo e erguemos a cabeça, mas os nossos olhos estão fixos no chão ou nesse vazio. Saímos de casa repetindo para nós próprios que já nada daquilo interessa, que passou, que hoje é um novo dia cheio de grandes perspectivas. Que devemos olhar em frente e não viver no passado, e todos esses clichés dos livros de auto-ajuda.
Porque há dias que nem tu nem eu conseguimos deixar passar em branco.
Acordamos de manhã e a primeira coisa em que pensamos é na pessoa que representa aquele dia. Ainda deitados, imaginamos o que faríamos se essa pessoa estivesse ali do nosso lado, com que afago a acordaríamos, que palavras lhe segredaríamos ao ouvido para depois escondermos o rosto envergonhado na curva do seu pescoço. E depois olhamos pela janela e percebemos que aquele dia que começa é mais um dia da vida que escolhemos.
Erguemo-nos, como todos os dias dos últimos sete anos. Lavamos o corpo, mas na nossa alma o derrame continua. Apoiamos as mãos no vidro embaciado e deixamos a água fria escorrer pelo pescoço, sobre as costas, deslizando até às coxas, arrefecendo o corpo quente e pensamos…pensamos e desejamos ardentemente.
Vestimos a nossa roupa perfeitamente engomada e recordamos o cheiro do seu perfume misturado na nossa pele. Bebemos o café quente enquanto lembramos de uma mão a levar-nos um pedaço de pão à boca. E queremos imaginar tudo o que poderíamos ter vivido juntos, mas não conseguimos.
Respiramos fundo e erguemos a cabeça, mas os nossos olhos estão fixos no chão ou nesse vazio. Saímos de casa repetindo para nós próprios que já nada daquilo interessa, que passou, que hoje é um novo dia cheio de grandes perspectivas. Que devemos olhar em frente e não viver no passado, e todos esses clichés dos livros de auto-ajuda.
E durante o resto do dia fingimos passar pelas horas ansiosamente despreocupados. Viramos a cara a tudo o que nos lembre (e olhamos pelo canto do olho se algo nos parece ligeiramente familiar). Lemos todos os jornais online (e no intervalo usamos o google para pesquisar um nome). Trabalhamos horas extra ou combinamos ir beber uns copos com amigos para a marina de Cascais (não…para Cascais não, que fica demasiado perto de cairmos novamente no vazio).
E assim o dia vai passando, e nós, despreocupadamente ansiosos pelo postal electrónico que não chega. Premimos repetidamente a tecla de actualizar do outlook para ver se há algum erro do programa. Ansiosamente despreocupados olhamos o écran até vermos chegar o email. E quando chega… quando chega é como se não houvesse nada mais importante no mundo a não ser aquela meia dúzia de palavras que queremos que digam tudo, mas na verdade não dizem realmente nada.
Eu sabia que virias.
Eu sabia que virias.
(Como te atreves a regressar? Obrigando-me a recordar, quando tudo o que eu mais quero é esquecer-te...)
Tu consegues sempre voltar. Erguido das cinzas como uma Fénix, um fantasma assombrando o meu espírito ou talvez debicando no coração como um grifo.
Tu consegues sempre voltar. Erguido das cinzas como uma Fénix, um fantasma assombrando o meu espírito ou talvez debicando no coração como um grifo.