quinta-feira, 16 de abril de 2009


Adormeço.
Lembro-me do dia 23 de Dezembro de um passado distante,
de brincarmos nervosamente com as cores das argolas
como se desembrulhássemos prendas há muito esperadas
Lembro-me do castelo e das estrelas no céu do Marvão,
das estrelas sob os pés no chão do nosso quarto
Lembro-me dos 45 kg do meu corpo pálido e pequeno
suportado apenas por aquilo que crescia no meu peito
Lembro-me do teu corpo quente e imenso como um mar,
Das asas negras de corvo que se abriam dos teus olhos,
…das gotas de suor na fronte
Lembro-me da nossa canção
(terás tu esquecido o que dizia a letra da canção?)
Lembro-me da fotografia no miradouro de Sta. Cruz,
dos nomes gravados na rocha
e do buraco que depois gravaste no meu peito
Lembro-me de agarrar o peito com os braços para que o buraco não me engolisse,
do pavor ao acordar todas as manhãs e perceber que aquilo era real
e que tu tinhas morrido
(foste tu... ou fui eu que morri para ti?)
Lembro-me da dor, imensa como o teu abraço
eu, uma pequena boneca de ferro nos braços de um gigante de barro
É mentira - o tempo não cura tudo... e há poucas distracções para o tormento.

Acordei. (sobrevivi)Ainda hoje, quando acordo, não sei se sonhei.