segunda-feira, 30 de junho de 2008

Sempre acreditei que se pode ler no rosto a história da nossa vida

Uma ruga pela a saudade de quem está longe
Uma ruga pela alegria dum filho nascido
Uma ruga pela tristeza de uma morte
Uma ruga pelo cansaço de ganhar o pão
Uma ruga pelo peso de tudo o que vamos aprendendo e guardando dentro de nós
Uma ruga pelo sorriso de um sonho cumprido
...e muitas por todos os que vamos deixando para trás.
E o que acontece quando, no rosto, não há mais espaço para escrever?
(tenho saudades do meu avô...)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A vida e a morte pelos olhos de um garrano


Leio hoje no DN a notícia de que mais 5 cavalos garranos foram abatidos a tiro em Melgaço, duas semanas após um ataque semelhante contra outros 10 animais.

Um crime contra todos nós e uma ameaça para a natureza, tanto mais porque só existem cerca de 2000 animais desta raça, quase extinta.

A primeira vez que vi um garrano foi há menos de um ano, durante uma caminhada que fiz no Gerês com uns amigos de Famalicão. Lembro-me que na altura um habitante local nos disse que iriamos ver "centenas de cavalos". Essa frase ficou guardada na nossa memória e até achámos engraçado, porque acabámos por ver apenas 4 ou 5 animais.

Ainda guardo a imagem dos cavalos em liberdade - a liberdade que eu queria experimentar - e naquele momento pensei "esta é a imagem mais bonita que levo desta serra!".

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Esta noite queria a tua mão para agarrar
Esta noite queria uma cama com lençóis amachucados
Esta noite vestia-me de branco só para ti
Esta noite queria ir para aquele lugar onde os nossos sonhos marcam encontro
…e amanhã, nascer dentro do teu sorriso

Eu...

— Como é bela!
— Pois sou – respondeu a flor num murmúrio.
O principezinho teve a intuição de que ela não devia ser nada modesta, mas era tão terna!
Um dia, aludindo aos quatro espinhos que possuía disse ao principezinho:
— Podem vir os tigres com as suas garras! Não receio nada os tigres, mas tenho horror às correntes de ar. (…)
«Havia de não lhe ter dado ouvidos», confidenciou-me um dia, «é preciso nunca dar ouvidos às flores. Apenas se deve olhar para elas e cheirá-las. A minha perfumava-me o planeta, mas eu não era capaz de me deleitar com isso. Aquela história das garras, que tanto me aborreceu, havia antes de me ter enternecido...»
E confidenciou-me ainda: «Naquela altura não fui capaz de compreender! Devia julgá-la pelos actos e não pelas palavras. Ela perfumava e enfeitava. Eu nunca devia ter fugido! Para lá das artimanhas, devia ter adivinhado a sua ternura. As flores são tão incoerentes! Eu era novo de mais para saber amá-la.»

(…) O principezinho pensava nunca mais voltar. Ao regar a flor pela última vez e ao preparar-se para a cobrir com a redoma, reparou que tinha vontade de chorar.
— Adeus — disse à flor.
Ela não respondeu.
— Adeus — repetiu.
A flor tossiu. Mas não por causa da constipação.
— Fui tola — disse, por fim. — Perdoa-me. Trata de ser feliz.
Surpreendeu-o a ausência de censuras. Deteve-se, muito perturbado, com a redoma na mão. Não compreendia aquela afabilidade calma.
— Sabes, eu amo-te — disse a flor. — Nunca to disse, a culpa é minha. Não, faz mal. Mas foste tão tolo como eu. Trata de ser feliz... Deixa aí a redoma. Já não a quero.
— Mas o vento...
— Não estou tão constipada... O ar fresco da noite até me vai fazer bem. Sou uma flor.
— Mas os bichos...
— Terei de suportar duas ou três lagartas se quiser saber como são as borboletas. Dizem que são muito lindas!
Se não, quem virá visitar-me? Tu, tu estarás longe. Quanto aos bichos grandes, não tenho medo nenhum. Tenho as minhas garras.
E mostrou, ingenuamente, os quatro espinhos. Depois prosseguiu:
— Não estejas com delongas, é irritante. Decidiste partir. Vai-te embora.
Porque não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muitíssimo orgulhosa...
(in O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O meu irmão cresceu


O corpo cresceu e há fios prateados à solta na sua cabeça
as palavras ouvem-se agora mais brandas e cansadas
poucas, como se um peso lhe saisse da alma,
gota a gota
o meu irmão não chora lágrimas
ainda chora aquela raiva que o corpo não consegue reter
e que também cresceu com ele desde cedo
mas o meu irmão cresceu...
como cresceram as mãos com que ele agora segura o filho.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Disseste: “Um dia poderemos ser felizes no Evereste”.
Por isso, caminho trilho após trilho, corro pelos campos fora,
salto ribeiros, subo montanhas cada vez mais altas
…e um dia, sei que chegarei lá.

O Gerês na PAN Parks

O Semanário Sol traz hoje uma notícia sobre a adesão do PNPG à PAN Parks, uma rede que integra as áreas naturais mais importantes da Europa, fundada pela WWF (organização de protecção da natureza cujo trabalho admiro muito), em parceria com a alemã Molecaten - http://www.panparks.org/Cover.
O PNPG é, até ao momento, o único parque na península ibérica a obter esta distinção.
De notar que as áreas protegidas candidatas à certificação PAN Parks, são sujeitas a um rigoroso processo de auditoria independente, onde são considerados vários critérios, como a qualidade do ambiente e dos valores naturais, a gestão da conservação da natureza e da biodiversidade, a gestão dos visitantes e o desenvolvimento do turismo sustentável.

O que me surpreende com esta notícia é como foi possível obtermos esta certificação quando ainda há tanto de básico por fazer, p.ex. na questão da gestão de visitantes.
Admito que até possa estar mal informada, mas tanto quanto posso avaliar pelas minhas idas ao Gerês, as informações disponíveis para os visitantes no local são escassas, os serviços de apoio inexistentes, as casas dos guardas do parque (situadas em locais estratégicos de início de trilhos) estão fechadas e algumas em ruínas, quando poderiam ser aproveitadas para apoio aos visitantes, e certos locais considerados áreas de protecção total (como as minas dos Carris) estão cheios de lixo.

Espero sinceramente que esta certificação possa servir para trazer uma melhoria nas condições de protecção da fauna e flora do parque, na limpeza, nos serviços de apoio a quem gosta de lá caminhar... e não apenas mais uma forma de alguém, sentado num gabinete, lucrar com isso.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Pirinéus "Circuito dos Três Vales e Posets"


Faltam 43 dias e 6 horas e 51 minutos para concretizar um sonho!

...e estou para aqui a escrever isto, na hora do jogo, porque Portugal está a perder 2 a 0 com a Alemanha :-/

O sabor da liberdade

Fez um ano que descobri o sabor da liberdade. Basto-me a mim mesma, e essa descoberta deu-me serenidade.
Talvez me tenha tornado mais egoísta, passando a olhar mais para as minhas necessidades, vontades e sonhos, mas ao mesmo tempo tornei-me também mais altruísta e agora dou sem a ansiedade de esperar nada em troca.
Hoje, quando caminho, o mundo é só meu e eu pertenço toda ao mundo. Nada se entrepõe entre nós. E no meu rosto nasce um sorriso que não se apaga e uma felicidade tão grande que não cabe no peito.
Volto a ser criança, volto a ser semente, terra, ar, átomo… e o caminho reconhece-me os passos!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O Lado Selvagem


Um filme que vi recentemente e que me marcou por várias razões: a coragem e os desafios que Chris McCandless aceitou para viver a vida que desejava, a mensagem do filme, a fotografia, a banda sonora e as fabulosas paisagens do Alasca.

Adagio

Este início é para ti. Sim, para TI!
Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca e
floresceram comigo.
(Pablo Neruda)