domingo, 2 de novembro de 2014

Too late is a shitty place to be


Talvez seja suficiente para ti saberes que és infinitamente amado, que a paixão te tomou de assalto mesmo que por breves instantes há muito tempo atrás. Que mesmo após todos estes anos te desejo como no primeiro dia, ou ainda mais. Que só tu, sim, só a tua lembrança me faz, ainda hoje, tremer de desejo ao imaginar a ponta dos meus dedos a percorrer cada centímetro da tua pela, a tua boca sôfrega a procurar a minha boca ansiosa, o meu corpo pequeno enlaçado no teu corpo grande e a certeza de que naquele instante estava protegida. Essa lembrança do que não vivemos e que me assola dia após dia, essa ânsia de viver ao teu lado todo o bom e o mau que a vida sempre nos oferece. A certeza de que largaria tudo hoje para ficar contigo, como fiz há tantos anos atrás. Talvez essa certeza seja suficiente para ti.

Temo pelo dia em que percebermos que é tarde demais, porque esse momento é um lugar sem retorno e “tarde demais” é o maior desperdício da vida.


Para mim, na mesma medida, tudo o que sinto é uma tristeza infinita, por saber, com  a mesma certeza, que nunca mais o meu corpo será teu (mesmo que nunca tenha deixado de te pertencer). Que será sempre uma vida dolorosamente incompleta porque nunca partilharei a normalidade contigo, esse pedaço da nossa humanidade exposto aos olhos dos outros. Que não serei capaz de suportar a vida com outra pessoa, porque, por mais que tente, irei sempre preferir passar o resto da vida a sonhar contigo do que passar o resto da vida a fingir que sou de outro.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

The Unnatural Life



Acordo na madrugada ainda sombria. Sento-me na beira da cama e dispo os sonhos que depois deixo espalhados sobre os lençóis. Visto a minha roupa de viver, que não é  mais que uma máscara que coloco todos os dias para não pensar em ti.
Todos os dias.
Procuro mentalizar-me que a vida que tenho é boa e que devo aceitá-la sem reservas. Que ser feliz talvez seja adaptarmo-nos, viver um dia de cada vez, sermos bons cidadãos e partilhar o espaço e o tempo com aqueles que nos querem bem e pronto. Contrariamente ao que parece,  viver assim não é difícil, viver assim é acomodarmo-nos ao conforto dos clichés da nossa sociedade. O difícil é contrariar tudo isto.
Assim, deixo-me iludir confortavelmente com esta ideia de felicidade durante dois ou três dias, até que algo dentro de mim começa a contorcer-se e a espicaçar lentamente cada célula do meu corpo. Um dia aqui (um punho que teima em manter-se cerrado), outro dia ali (a sensação súbita de não conseguir respirar). Como se o meu corpo teimasse em não funcionar corretamente por falta de um qualquer órgão essencial. Como se houvesse um vazio inexplicável que não pudesse ser preenchido. E esse vazio existe, essa melancolia e tristeza existem. Os outros percebem-no, mas escolhem chamar-lhe “natural”. A vida prossegue. Convenientemente para todos.
Uma vida não natural.
Na verdade, engano-me conscientemente todos os dias.
Como pode ser natural uma vida que reprime aquilo que ocupa permanentemente o meu corpo e a minha alma?



sábado, 27 de setembro de 2014

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Pergunta-me...


Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas 
a ave magoada 
que se queda 
na árvore do meu sangue

Pergunta-me 
se o vento não traz nada 
se o vento tudo arrasta 
se na quietude do lago 
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me 
se te voltei a encontrar 
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via 
na infinita dispersão do meu ser 
se eras tu que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo 
a folha rasgada 
na minha mão descrente

Qualquer coisa 
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice 
um mistério indecifrável
simplesmente 
para que eu saiba 
que queres ainda saber 
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer'


Mia Couto, in 'Raiz de Orvalho'

sábado, 30 de agosto de 2014

Continuities


"Nothing is ever really lost, or can be lost,
No birth, identity, form--no object of the world.
Nor life, nor force, nor any visible thing;
Appearance must not foil, nor shifted sphere confuse thy brain.
Ample are time and space--ample the fields of Nature.
The body, sluggish, aged, cold--the embers left from earlier fires,
The light in the eye grown dim, shall duly flame again;
The sun now low in the west rises for mornings and for noons continual;
To frozen clods ever the spring's invisible law returns,
With grass and flowers and summer fruits and corn."

(Walt Withman)

terça-feira, 12 de agosto de 2014

The road not taken


Não sei como comecei a amar-te. Não sei como pude amar-te, nem como, ainda hoje ao pensar em nós, tudo dentro de mim grita de mágoa, se revolve e quer sair em forma de lágrimas. Estávamos condenados ao fracasso desde o início.

Disseste-me há dias que “não podias deixar de me dar os parabéns…”. Mas podias, podias mesmo, e devias tê-lo feito se fosses outro… um pouco melhor.

Achas que a tua lembrança me faz feliz? Achas mesmo que retiro algum prazer quando me escreves a dizer que nunca me esqueceste e que te lembras com saudosismo dos momentos que passámos juntos, para depois te recusares a tomar um café comigo (como se eu fosse indigna ou te pudesse levar a cometer algum pecado... como se não fosse já um desvio à tua fidelidade conjugal o simples facto de me escreveres).

Conscientemente ou não, continuas a fazer comigo o que te faz sentir melhor, o que te é mais conveniente, quando te é mais conveniente. Esse jogo do toca e foge que sempre soubeste tão bem jogar. E eu, tola, volto a deixar-me levar por essa secreta esperança que nunca me abandonou.
Que esperança tão estúpida. Tão masoquista que eu sou.

Agora tens a tua vida perfeita e feliz. Decidiste voltar a casar, voltar a ter filhos. Não foi certamente em mim que pensaste durante esses anos, mas se alguma vez foi, então cometeste o pior dos crimes – ser desleal, não com os outros mas contigo próprio.

Foi essa a estrada que escolheste seguir, por isso mantém-te firme nessa convicção.
Esquece-me de vez ou finge que me esqueces. Tanto me faz. Mas não voltes ao sítio onde foste feliz. Nunca mais.



domingo, 15 de junho de 2014

Sempre

Escrevo, apago, volto a escrever e torno a deitar fora as palavras.
Meu amor, tu que estás onde eu não posso estar, mas que estás em tudo o que eu faço, quero que saibas que todos os meus dias são uma luta contra ti. 
Como porque tenho de comer. Sorrio porque parece bem. Faço amor porque tem de ser. E em todos esses momentos, todos sem exceção, imagino como seria poder fazê-lo contigo - comer, sorrir, fazer amor.
Sabes a dor que me acompanha, essa dor que também é tua, essa dor que reconheço nas migalhas que vais deixando por aí.
Que mais posso eu dizer-te senão que a minha vida é sobreviver sem o prazer e a emoção que o teu corpo carrega, dizendo-te adeus dia após dia, a cada golo de ar que sorvo, a cada bocado desta maçã que trinco agora, a cada beijo que dou. Sobrevivo porque tem de ser. Vivo pela saudade que te tenho.



terça-feira, 27 de maio de 2014

in memoriam


A tua morte é sempre nova em mim.
Não amadurece. Não tem fim.
Se ergo os olhos dum livro, de repente
tu morreste.
Acordo, e tu morreste.
Sempre, cada dia, cada instante,
a tua morte é nova em mim,
sempre impossível.

E assim, até à noite final
irás morrendo a cada instante
da vida que ficou fingindo vida.
Redescubro a tua morte como outros
descobrem o amor,
porque em cada lugar, cada momento,
tu estás viva.

Viverei até à hora derradeira a tua morte.
Aos goles, lentos goles. Como se fosse
cada vez um veneno novo.
Não é tanto a saudade que dói, mas o remorso.
O remorso de todo o perdido em nossa vida,
coisas de antes e depois, coisas de nunca,
palavras mudas para sempre, um gesto
que sem remédio jamais teve destino,
o olhar que procura e nunca tem resposta.

O único presente verdadeiro é teres partido.


(Adolfo Casais Monteiro, in O Estrangeiro Definitivo)


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Todas as noites esvazio o meu coração, mas pela manhã ele está novamente cheio. 
Pequenas gotas tuas entraram durante a noite, cuidadosamente... Ao amanhecer estou a transbordar de pensamentos teus, com um prazer insaciável que não me deixa respirar. 
O amor não pode ser contido. 
A frágil embalagem do desejo divide-nos, derramando carmesim através dos meus dias.
Longos dias que estão agora ternamente feridos com a ânsia de viver à procura de uma impressão digital, um perfume, um suspiro que tenhas deixado para trás...

___

Ontem fui tentar encontrar-te. Esperei por ti muito tempo mas não te vi. 
Estúpida. Essa sempre foi a tua arte.
(teria esperado toda a noite... esperarei a vida toda)




domingo, 11 de maio de 2014

Pont Neuf


No prédio em frente ao meu existe uma janela e nessa janela vive um homem parecido contigo no corpo e, imagino eu, na forma de estar na vida. Todas as noites, quando me sento no sofá, olho para essa janela e vejo esse homem na cozinha, levando a colher de pau aos lábios para provar uma qualquer iguaria que preparou com dedicação para ele e para a mulher. Só recentemente percebi que ele é casado porque nunca a tinha visto… ela nunca se aproxima da cozinha, esse é o domínio dele. Olho muitas vezes para essa janela, tentando imaginar-te também como o rei da tua cozinha. Já que não te posso ver, posso pelo menos imaginar-te no corpo de outros homens e pensar que sou eu que estou ali naquela casa, naquela cozinha, partilhando uma refeição contigo.

Passei a minha vida a desejar encontrar alguém que cuidasse de mim, que me protegesse, alguém com quem me sentisse segura e confiante ao ponto de acreditar que esse alguém estaria do meu lado e eu não precisaria de pensar sozinha numa solução para os problemas. Tu foste essa pessoa, a única. Tu foste essa pessoa até uma determinada altura, mas por essa altura a tua cabeça já estava certamente noutra casa, noutra cozinha, noutra mulher. Por vezes penso nesses últimos tempos e sinto uma mágoa profunda - a dor do ciúme e do engano – mas antes que essa mágoa se instale afasto esse pensamento e procuro lembrar-me da forma como cuidavas de mim.

Os anos vão cobrindo de névoa as memórias, mas há sentimentos que perduram como templos de pedra – a forma como me davas atenção como se eu fosse o centro do teu universo, o carinho com que me tocavas, a comida que me preparavas... que por vezes me davas à boca, os sítios que me levavas a conhecer e que passaram a ser para sempre teus. Sentia que o fazias por puro amor e dedicação, sem desejar nada em troca a não ser ver-me feliz. Gosto de acreditar que assim era.
Nunca mais senti isso com ninguém, nunca mais permiti que ninguém entrasse verdadeiramente na minha vida e não voltei a encontrar ninguém que me amasse da mesma forma que tu. Os homens que conheci foram sempre uma má representação de ti, por minha culpa, porque nunca deixei de te procurar neles.

Imagino que agora te esforças por fazer a outra pessoa o mesmo que fazias por mim, porque és bom e acreditas que deves fazer o que é correto e porque gostas de ver os outros felizes, mesmo que tu não te sintas assim tão feliz. De alguma forma, essa tua integridade conforta-me e leva-me a tentar aceitar o rumo que as nossas vidas tomaram, porque se tu o consegues fazer, eu também deveria conseguir. Então, porque razão não consigo?... Penso em ti todos os dias, sem exceção, procuro-te em tudo o que vejo. Procuro fazer tudo da melhor forma possível para que, numa qualquer outra vida, te possas orgulhar de mim, da mesma forma que uma mulher procura honrar o homem que ama, o seu companheiro.

Sinto-me envelhecer e tudo me cansa - as pessoas, o barulho, a tecnologia, a impunidade, a futilidade... cansa-me ter de inventar sempre um projeto novo para me distrair do facto de que vivo num mundo onde tu não estás. Por mais que tu sonhes com Paris e por mais que eu deseje assistir do teu lado ao pôr do sol sobre a Pont Neuf, a realidade (e tu sabes isso) é que nunca mais estaremos juntos. Imagina como será viver mais 30 ou 40 anos assim.

Olho pela janela. Ali estás tu de varinha mágica na mão a passar a sopa.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Morrer


só existem três formas de morrer.

morrer devagar.
..............................
....................
..........
a tempo de dizer adeus,
pedir desculpa uma vez mais
e saber perdoar quem nos magoou.
começamos a arrumar a casa,
a tratar dos papéis.
convocamos os interessados no património
e deixamos as memórias escritas numa caixa.
saboreamos o pôr-do-sol como se fosse o último,
comovemo-nos com a promessa de uma onda no mar
e com o nascimento de uma vida.
(sim, uma vida que vem tomar a nossa).
devagar sofremos a conta-gotas,
revoltados com a ideia de um futuro.
os nossos sonhos passam a condição
e são arrumados na estratosfera da consciência.
deixamos de mandar em nós,
agora quem manda é o corpo.
o corpo que todos os dias apodrece.
sempre mais.
sempre um bocadinho mais...

morrer de repente.
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sem tempo para dizer um ai
ou sequer ver a vida em rodapé.
a surpresa instala-se:
"ainda ontem estava tão bem, comadre.
e olhe, já cá não está...
a vida é mesmo assim -
não valemos nada, mesmo nada."
fica tudo desarrumado, mesmo o mais íntimo segredo.
e os outros questionam-se do paradeiro do número de conta,
onde estão as chaves de casa
e quem é aquele que afirma ser o filho.
não há tempo para pagar dívidas
nem para gozar o dinheiro que nos sobra.
alguém fica com ele, no problem.
who cares?
who fucking cares?

morrer de amor.
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morrer
de
amor
não
tem
explicação
nos
poemas.


(Rodrigo Ferrão)

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

13, a semântica de um número


Tudo começou com o 13.
Treze é o número de Deus.
Na mitologia Maia, treze é o número de elementos de energia que criaram e sustentam todos os seres vivos. Na religião cristã temos os doze apóstolos e Jesus - o décimo terceiro elemento que representa a energia divina. Treze é, quase sempre, o fim de uma antiga forma de vida, a morte e ao mesmo tempo o renascimento e a transformação. Existe nesse número um enorme potencial para grandes realizações e um potencial igualmente grande para a destruição total. Porque com o treze é tudo ou nada.

Para mim o treze és tu – a energia divina, a destruição e a criação, o tudo ou nada. Desarrumaste a minha vida. Vivo desde esse momento em desassossego, numa batalha constante contra mim mesma e a paz há muito que me deixou. Hoje sei que essa paz nunca regressará. Pode assomar-se em breves momentos por entre os dias ou os anos, mas partirá sempre na tua lembrança.

Amo-te. Amo-te desde o dia em que esse número entrou na minha vida e talvez até antes. Talvez já tenha nascido, pequena, rosada e inocente, com o meu coração preso a ti. Talvez sejamos ambos dois átomos de cargas diferentes, separados no momento da criação e permanentemente em busca um do outro. Contra todas as probabilidades, sou constantemente atraída para ti, porque a química entre nós foi madrasta - nunca foste verdadeiramente meu e, no entanto, pertencer-te-ei para sempre. Desde esse dia que tudo o que faço é para ti. Foste sempre tu!

Há alturas em que acho que isto tudo é um capricho, um exagero, e digo a mim mesma que o passado é uma história que contamos a nós próprios, muitas vezes baseada numa verdade distorcida. Mas depois há algo que teima em permanecer, que não morre nem se transforma com os anos. Uma emoção tão intensa como no primeiro dia em que nos amámos. Sabes, há certezas que só aparecem uma vez na vida.

Hoje sinto que não tenho nada, nem sequer medo. Isto não quer dizer que não possua ou não tenha feito algumas coisas muito boas. Mas tu sabes do que falo, tu sabes o que significa esse “nada”, esse vazio que se esconde por detrás do meu sorriso. Procurei preencher a tua ausência, tentei ser feliz, quis encontrar novos sonhos, mas foi sempre uma tarefa inútil. É como se contigo tivesse sentido tudo o que havia para sentir e a partir desse momento não houvesse mais nada de novo, apenas versões menores de ti.

É que eu sou como o treze. Comigo foi sempre tudo ou nada e sem ti o que ficou foi o nada. Nada nem ninguém conseguiu substituir-te, nada preencheu, por muito tempo, o espaço vazio que deixaste. Já não luto contra essa evidência, porque quando fecho os olhos só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais. Penso muitas vezes que talvez tudo tenha acontecido pelo melhor, porque há em mim algo indomável e provavelmente não teria sido capaz de te fazer feliz. Quero ver-te feliz, senão feliz pelo menos tranquilo. É o que mais desejo, mais até do que voltar a abraçar-te, se for esse o preço a pagar… e eu quero tanto, tanto, voltar a estar nos teus braços fortes. Esse desejo é tão grande que há momentos em que quase te sinto.

Nos últimos meses fiz de conta que este contacto entre nós é suficiente, limitado, mas bom. Mas não é verdade, pelo menos não para mim. Quando sou forçada a pensar em ti, nada mais importa e começo a agir como se fosse outra mulher e, no entanto, torno-me mais eu do que alguma vez fui. A verdade é que não sou tão contida e tenho menos a perder que tu. É a química novamente. És como uma droga que me faz viver a pensar no próximo chuto. Quero-te tanto. Quero tanto ouvir-te chamar o meu nome. Desejo ardentemente tocar-te, pedir-te para me amares novamente. Mas racionalmente, por tudo isto, sei que não é possível apagar o que temos hoje nas nossas vidas. Não podemos esperar ter o melhor de dois mundos.

Caminho à beira do precipício e o vento forte sopra de feição. Sinto-me a cair e tu não podes estar lá para me segurar. O destino pode magoar uma pessoa da mesma forma que a pode abençoar e dou por mim a perguntar porque é que, no meio de tanta gente, tinha de te encontrar para depois te perder. Pensei que se me agarrasse à tua memória poderiamos voltar os dois a viver, mas estava errada. Vejo agora que a minha realidade é uma impossibilidade e a alternativa é continuar a sobreviver. 

Hoje é dia 13. Não posso continuar a afastar-me de quem me quer bem, por isso vou deixar cair o pano entre nós, vou pôr um sorriso no rosto, vestir o meu papel nesta peça e encontrar a força para continuar sem ti. Talvez um dia o amor que te tenho encontre forma de me curar. 

Somos ambos como o treze, o número de Deus. Somos feitos à sua imagem e, como ele, imortais e omnipresentes. 

Com todo o meu amor
D.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Uma questão de química

Os Espanhóis têm uma expressão engraçada para designar aquele ficar absolutamente até ao fim com alguém ou com alguma ideia. Resumem tudo no "a la muerte".
É verdade, o mundo físico nada pode contra a química! Tal como dois grandes clubes como o Benfica e o Sporting terão sempre um encontro marcado, por mais intervenientes físicos que se sucedam neste Mundo, acredito que a conexão entre duas pessoas sobrevive à separação e até a mais do que isso. A química mantém-se porque os componentes em jogo não se alteram. É isso que gera os risos, as cumplicidades, as provocações, o desejo.





segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014


I cannot sleep in your presence
In your absence, tears prevent me
You watch me, my beloved
On each sleepless night and
Only You see the difference
All year round the lover is mad,
Unkempt, lovesick and in disgrace
Without love there is nothing but grief
In love… what else matters?
Love has pierced with its arrow
The heart of every lover
Blood flows but the wound is invisible

(Rumi, XIII century poet)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Amanhã


amanhã, ou enquanto dormes 
- agora mesmo -, vou pensar em ti.
intensamente: até que as horas me doam sobre a pele, 
e o movimento dos dias passe como aves 
que perdem o sentido do voo - até que tudo
o que me rodeia tome a forma do teu corpo.
e em mim circules - quando estendo a mão 
por dentro da noite e te acordo,
no fogo dos meus olhos.


(al berto)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Hoje


Hoje quero ser má. 
Hoje só quero pensar em mim… e em ti.
Guardo o que sinto fechado num cofre de carne e sangue, para não magoar quem nos rodeia.
Mas hoje quero ser má.
Quero dar-me à ousadia de, por um dia, te mostrar o que sinto, sem pensar nas consequências. Porque a vida é curta e viver sabendo que metade de mim é apenas um espaço vazio é difícil e torna tudo profundamente indiferente e sem esperança.
Por isso hoje quero provocar-te. Marcar o teu corpo como um ferro em brasa, se só isso for possível.
Porque cada vez que penso em ti o meu corpo enche-se de emoções que não consigo conter. 
Quero sentir tudo o que um dia senti. 
Quero voltar a ver o teu sorriso belo e provocador, os teus olhos verdes como lagoas onde me apetece mergulhar.
Quero ouvir a tua voz. Fala-me da nossa paixão. Mostra-me o mundo, o teu mundo.
Beija-me. Beija-me longamente, com língua e com alma.
Abraça-me. Quero sentir as tuas mãos no meu peito.
Quero a tua língua sôfrega, o teu cheiro quente. Os teus cabelos negros onde agora brilham fios de prata.
Quero tocar as tuas costas, beijá-las centímetro a centímetro.
Tomar o peso do teu corpo sobre o meu. Senti-lo explodir de desejo.
Sentir o sal do teu suor. 
Deixa-me amar-te.
Ama-me como tantas tardes nos amámos e nos perdemos em sonhos.
Preenche-me, enche-me de ti.
Deixa-me que te complete, que te faça sentir novamente inteiro.
Alimenta-me, alumia-me.
Dá-me esperança.
A vida era boa quando estávamos juntos, quando éramos só nós e o tempo parava.
O mundo éramos nós dois.
Nós seremos sempre só um e hoje quero perder-me em ti e nunca mais me encontrar.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014


Hoje foi um daqueles dias em que a vida parece tão difícil de suportar... e o mais difícil é saber que no final deste dia regresso a casa para encontrar apenas a tua ausência e a tua memória.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Brief Encounter


"This can't last. This misery can't last. 
I must remember that and try to control myself. 
Nothing lasts really. Neither happiness nor despair. Not even life lasts very long. 
There'll come a time in the future when I shan't mind about this anymore, when I can look back and say quite peacefully and cheerfully how silly I was. 
No, no, I don't want that time to come ever.
I want to remember every minute, always, always to the end of my days."

(do filme Brief Encounter, 1945, dirigido por David Lean)