quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Amanhecer


O dia começa. Vejo ao fundo, sobre o rio, o primeiro tom azul-rosa a despontar. Ainda está escuro e o frio enche-me as mãos. Inspiro profundamente o fresco e o silêncio da madrugada que sempre me acalmam, deixando um torpor na alma e uma lucidez no corpo. É o que se quer – a anestesia.
Hoje não sei. Não sei nada. Mas hoje, particularmente, há uma dúvida enorme, um ponto de interrogação gigante dentro da minha cabeça, querendo alastrar para o resto do corpo como uma doença maligna.
Hoje nem sei. Nem sei se me viro a norte ou a oeste, porque a agulha da minha bússola interna não gira, ou gira descompassada como o meu coração. Giro sobre mim, e para cada lugar que olho vejo o mesmo – eternamente familiar, constantemente estranho. Ainda não pertenço aqui… sei que nunca irei pertencer aqui. Invade-me a amargura, aquele gosto agridoce deixado pelo tempo passado em lutas constantes, em mãos que dão e ficam vazias, em sentimentos que se mostram e não têm espectador. Com que sentido?
Leio num pacote de açúcar que me servem com o café, uma frase retirada de um livro de José M. Saraiva: “Que estranho destino é o meu que apenas me consente paixões ardentes e me faz esgotar em amores improváveis.”

4 comentários:

Anonymous disse...

Acredita que os teus sentimentos têm espectador. Um beijinho

Anonymous disse...

Hoje como tinha um pouco as ideias baralhadas, quando dei por mim estava a ler estas linhas do teu blog e fiquei um pouco triste com a leitura.
Onde está a menina de ideias fixas, um objectivo no horizonte, com muita pressa em lá chegar. Devo dizer que determinação não lhe faltava.
Deves olhar á tua volta, e vais ver que encontras amigos (alem dos seus defeitos, tambem são teus amigos), logo vais encontrar muitos momentos de partilha.
Também podes pegar na tua bussola e traçar um azimute a norte, e vais ver que encontras muito amor e amizade.
Um beijo
Falcaodonorte

zeladorpublico disse...

Sim...a vida é feita de improvaveis e incertezas...nada parece estar bem e nada se afigura razoavel..
Mas o rumo é só um...para a frente, sem rodeios...

redjan disse...

E no simples dizer de um pacote de açucar e nada .... está um pouco mais .. de dia, de sitio para apontar, como quem se vê ali, lá longe, à distãncia de um olhar ...