O tempo é como um corpo amputado.
Há no tempo aquela constante sensação de presença mesmo quando ele se acaba. Sentimo-lo à nossa frente, flutuando como uma criança num baloiço, inebriante de trás para a frente (às vezes de frente para trás), sem fim. Há no tempo um membro dormente que dá vontade de afagar, sem preocupação, como se passeássemos a mão pelos cabelos de alguém dizendo "está tudo bem".
Mas o que fazer quando o tempo se esgota? quando a dormência acaba e só existe vazio. O que fazer quando o tempo se conta em meses ou até semanas? Quando as mãos começam a tremer e a caneta nos cai dos dedos. Quando as palavras já só podem crescer dentro das folhas brancas da nossa cabeça. O que fazer quando o tempo está contado e se torna um corpo inteiro e palpável? quando o tempo chega aos dedos e acaba ali na ponta das unhas e depois já não tem mais para onde ir...
6 comentários:
Existem muitos conceitos sobre a morte.
Em algumas comunidades a morte apenas significa uma libertação e noutras comunidades significa uma punição.
Também existem algumas pessoas que são imortais, e por muito que queiramos que elas desapareçam elas continuam por todo o lado, persistem no tempo. Estas ultimas por actos ou condições de vida ficam para sempre nas memórias de quem as conheceu.
Todos os outros que levaram vidas banais desaparecem com o seu óbito.
Eu considero-me uma pessoa banal, mas gosto de estar com amigos que me façam sentir bem.
Falcaodonorte
...
Acredito que "na natureza nada se perde, nada acaba tudo se transforma"
e nao sei comentar mais este teu post.
Um beijo grande, para ti!
Vim deixar um olá... e um "até logo" no Duende Feliz.
Bj.
fecha.se os olhos e abrem-se portas...
Já li este texto, palavra por palavra, mas não lembro onde... Quem é o autor(a), Montanha Azul?...
Eu.
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