sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Hoje


Hoje quero ser má. 
Hoje só quero pensar em mim… e em ti.
Guardo o que sinto fechado num cofre de carne e sangue, para não magoar quem nos rodeia.
Mas hoje quero ser má.
Quero dar-me à ousadia de, por um dia, te mostrar o que sinto, sem pensar nas consequências. Porque a vida é curta e viver sabendo que metade de mim é apenas um espaço vazio é difícil e torna tudo profundamente indiferente e sem esperança.
Por isso hoje quero provocar-te. Marcar o teu corpo como um ferro em brasa, se só isso for possível.
Porque cada vez que penso em ti o meu corpo enche-se de emoções que não consigo conter. 
Quero sentir tudo o que um dia senti. 
Quero voltar a ver o teu sorriso belo e provocador, os teus olhos verdes como lagoas onde me apetece mergulhar.
Quero ouvir a tua voz. Fala-me da nossa paixão. Mostra-me o mundo, o teu mundo.
Beija-me. Beija-me longamente, com língua e com alma.
Abraça-me. Quero sentir as tuas mãos no meu peito.
Quero a tua língua sôfrega, o teu cheiro quente. Os teus cabelos negros onde agora brilham fios de prata.
Quero tocar as tuas costas, beijá-las centímetro a centímetro.
Tomar o peso do teu corpo sobre o meu. Senti-lo explodir de desejo.
Sentir o sal do teu suor. 
Deixa-me amar-te.
Ama-me como tantas tardes nos amámos e nos perdemos em sonhos.
Preenche-me, enche-me de ti.
Deixa-me que te complete, que te faça sentir novamente inteiro.
Alimenta-me, alumia-me.
Dá-me esperança.
A vida era boa quando estávamos juntos, quando éramos só nós e o tempo parava.
O mundo éramos nós dois.
Nós seremos sempre só um e hoje quero perder-me em ti e nunca mais me encontrar.

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