quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

13, a semântica de um número


Tudo começou com o 13.
Treze é o número de Deus.
Na mitologia Maia, treze é o número de elementos de energia que criaram e sustentam todos os seres vivos. Na religião cristã temos os doze apóstolos e Jesus - o décimo terceiro elemento que representa a energia divina. Treze é, quase sempre, o fim de uma antiga forma de vida, a morte e ao mesmo tempo o renascimento e a transformação. Existe nesse número um enorme potencial para grandes realizações e um potencial igualmente grande para a destruição total. Porque com o treze é tudo ou nada.

Para mim o treze és tu – a energia divina, a destruição e a criação, o tudo ou nada. Desarrumaste a minha vida. Vivo desde esse momento em desassossego, numa batalha constante contra mim mesma e a paz há muito que me deixou. Hoje sei que essa paz nunca regressará. Pode assomar-se em breves momentos por entre os dias ou os anos, mas partirá sempre na tua lembrança.

Amo-te. Amo-te desde o dia em que esse número entrou na minha vida e talvez até antes. Talvez já tenha nascido, pequena, rosada e inocente, com o meu coração preso a ti. Talvez sejamos ambos dois átomos de cargas diferentes, separados no momento da criação e permanentemente em busca um do outro. Contra todas as probabilidades, sou constantemente atraída para ti, porque a química entre nós foi madrasta - nunca foste verdadeiramente meu e, no entanto, pertencer-te-ei para sempre. Desde esse dia que tudo o que faço é para ti. Foste sempre tu!

Há alturas em que acho que isto tudo é um capricho, um exagero, e digo a mim mesma que o passado é uma história que contamos a nós próprios, muitas vezes baseada numa verdade distorcida. Mas depois há algo que teima em permanecer, que não morre nem se transforma com os anos. Uma emoção tão intensa como no primeiro dia em que nos amámos. Sabes, há certezas que só aparecem uma vez na vida.

Hoje sinto que não tenho nada, nem sequer medo. Isto não quer dizer que não possua ou não tenha feito algumas coisas muito boas. Mas tu sabes do que falo, tu sabes o que significa esse “nada”, esse vazio que se esconde por detrás do meu sorriso. Procurei preencher a tua ausência, tentei ser feliz, quis encontrar novos sonhos, mas foi sempre uma tarefa inútil. É como se contigo tivesse sentido tudo o que havia para sentir e a partir desse momento não houvesse mais nada de novo, apenas versões menores de ti.

É que eu sou como o treze. Comigo foi sempre tudo ou nada e sem ti o que ficou foi o nada. Nada nem ninguém conseguiu substituir-te, nada preencheu, por muito tempo, o espaço vazio que deixaste. Já não luto contra essa evidência, porque quando fecho os olhos só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais. Penso muitas vezes que talvez tudo tenha acontecido pelo melhor, porque há em mim algo indomável e provavelmente não teria sido capaz de te fazer feliz. Quero ver-te feliz, senão feliz pelo menos tranquilo. É o que mais desejo, mais até do que voltar a abraçar-te, se for esse o preço a pagar… e eu quero tanto, tanto, voltar a estar nos teus braços fortes. Esse desejo é tão grande que há momentos em que quase te sinto.

Nos últimos meses fiz de conta que este contacto entre nós é suficiente, limitado, mas bom. Mas não é verdade, pelo menos não para mim. Quando sou forçada a pensar em ti, nada mais importa e começo a agir como se fosse outra mulher e, no entanto, torno-me mais eu do que alguma vez fui. A verdade é que não sou tão contida e tenho menos a perder que tu. É a química novamente. És como uma droga que me faz viver a pensar no próximo chuto. Quero-te tanto. Quero tanto ouvir-te chamar o meu nome. Desejo ardentemente tocar-te, pedir-te para me amares novamente. Mas racionalmente, por tudo isto, sei que não é possível apagar o que temos hoje nas nossas vidas. Não podemos esperar ter o melhor de dois mundos.

Caminho à beira do precipício e o vento forte sopra de feição. Sinto-me a cair e tu não podes estar lá para me segurar. O destino pode magoar uma pessoa da mesma forma que a pode abençoar e dou por mim a perguntar porque é que, no meio de tanta gente, tinha de te encontrar para depois te perder. Pensei que se me agarrasse à tua memória poderiamos voltar os dois a viver, mas estava errada. Vejo agora que a minha realidade é uma impossibilidade e a alternativa é continuar a sobreviver. 

Hoje é dia 13. Não posso continuar a afastar-me de quem me quer bem, por isso vou deixar cair o pano entre nós, vou pôr um sorriso no rosto, vestir o meu papel nesta peça e encontrar a força para continuar sem ti. Talvez um dia o amor que te tenho encontre forma de me curar. 

Somos ambos como o treze, o número de Deus. Somos feitos à sua imagem e, como ele, imortais e omnipresentes. 

Com todo o meu amor
D.

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