Vem.
Espero-te todos os dias e todas as noites.
Achas-me imprudente? Não sou imprudente. Mas não consigo ser
sensata quando se trata de ti. Tomo o peso às consequências dos meus atos. Mas também sei de cor o peso da dor de não estar ao teu
lado. Comprime-me o peito e não me deixa respirar. Acompanha-me há muito anos.
Não a suporto. Não suporto essa dor que é tão palpável que me causa náuseas.
Tento não pensar em ti. Ando há quinze anos a tentar não pensar em ti. Seria de
esperar que te tivesses diluído na minha memória. Mas não. Lembro-me da excitação que sentia ao te esperar e do conforto que me davas quando estávamos juntos. Como se fosse hoje, como se estivesses mesmo ali ao
alcance da minha mão. Não te chego a tocar. Tu não estás lá. A dor dessa ausência não
desaparece. Também a sentes?
Não posso fazer mais que te esperar. Não posso
fazer mais que amaldiçoar o dia em que te vi pela primeira vez, sentado à minha frente naquela mesa de restaurante. Não posso fazer mais que acreditar que os
erros que cometemos no passado serão o cimento do nosso futuro brilhante. Não posso fazer
mais que sonhar com um futuro onde a última imagem que verei antes de adormecer
é o teu rosto a sorrir para mim. E assim adormeço. Adormeço muitas vezes a
pensar em ti e quando acordo estou cheia de ti e de desejo. Desejo beijar-te a
boca, o peito, o sexo. Imagino as tuas mãos a conquistarem o meu corpo, a
tomarem-me para elas. Mais uma vez sinto o peso, mas agora é o peso do teu
corpo quente sobre o meu. Possuo-te e deixo-me possuir. Toma-me por inteiro.
Sempre fui tua. 
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