sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O Zen da Montanha

George Mallory, o lendário alpinista britânico, que pode ter subido o Everest 30 anos antes que Hillary, resumiu o chamamento da montanha "porque está ali", explicando deste modo a sua ansiedade pelo cume.
Esta expressão "haiku" de Mallory guarda um mundo vastíssimo. Os “haikus” são uma forma ancestral de poesia, que soam mais a uma verdade que a uma resposta.
Perguntaram a Matsuo Basho (um ilustre poeta de haikus) o quê era a iluminação. Ele respondeu que não se tratava de procurar a verdade, mas sim de estar nela. E para estar nela devíamos ser impecáveis: "Viemos para ser criadores, não vítimas; a expressarmo-nos, não a nos esconder. Na justa medida. No gesto impecável".

O gesto impecável leva ao centro, e o centro leva ao gesto impecável... E ao estar presente. Esse é o Zen de subir montanhas.

O gesto não é só um movimento de subida ou descida, é também uma atitude. O gesto também depende de nossa relação com o que representa para cada um as montanhas. O gesto traduz ritmo, traduz a nossa capacidade para decifrar as mensagens próprias e as da natureza ao redor, por exemplo, a tremenda decisão de subir ou não. Alcançar a impecabilidade no gesto é a essência, e o ritmo é fundamental.

Dizia Pio XII a alguns congressistas alpinos: "A lição da montanha é uma lição de elevação espiritual; uma lição de energia moral mais que física".

O montanhismo é uma escola integral do ser, cujas qualidades podem ser o remédio para os filhos do progresso, aprisionados na comodidade e na indolência do sedentarismo. Uma escola muito antiga. Que nos liga com o aqui e o agora. Porque o tempo sempre é presente. Os meditadores antigos chamaram à consciência do presente "dián", e seu caminho "Zen", o caminho do êxtase e da iluminação.

"O gesto não é só um movimento de subida ou descida, é também uma atitude".

(Excertos do texto retirados de http://altamontanha.com/)

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