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"Night has brought to those who sleep, only dreams they can not keep."
(Enya - Paint the sky with stars)
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Acordo sem o contorno do teu rosto na
minha almofada, sem o teu peito liso e claro
como um dia de vento, e começo a erguer a
madrugada apenas com as duas mãos que
me deixaste, hesitante nos gestos, porque os
meus olhos partiram nos teus.
E é assim que a noite chega, e dentro dela
te procuro, encostado ao teu nome, pelas
ruas álgidas onde tu não passas, a solidão
aberta nos dedos como um cravo.
Meu amor, amor duma breve madrugada
de bandeiras, arranco a tua boca da minha e
desfolho-a lentamente, até que outra boca -
e sempre a tua boca - comece de novo a nascer na minha boca.
Que posso eu fazer senão escutar o coração inseguro dos
pássaros, encostar a face ao rosto lunar dos bêbados e
perguntar o que aconteceu.

2 comentários:
O grande Eugénio!
Deixou saudades...
nao conhecia este poema, é lindo!
Um beijo.
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