quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Um espírito inquieto


  1. Como é o teu espírito? Empreendedor, corajoso, fraco, revolucionário, oportunista, acomodado, …?
    O meu, é sobretudo um espírito inquieto.
    Mas esta inquietude cansa e desgasta. É assim que me sinto muitas vezes.
    Dou-me conta que passo o tempo em busca de algo, numa permanente insatisfação. Sou “perguntadeira”, sou curiosa, anseio por aprender, por descobrir tudo, numa sofreguidão de esfomeado – o que lês, porque o lês, o que sentes, em que momento, qual o sonho, onde dói? E em cada descoberta, no meu espírito, fica sempre um espaço por preencher, uma lacuna que me leva a querer aprender e descobrir mais e mais. Nada tem um fim, nada se ordena, vivo em desassossego. E hoje estou tão cansada.
  2. O meu sonho - queria viver no campo, ter animais, ter uma horta, estar perto das montanhas – é tão simplista que dou por mim a pensar que só posso estar a ficar louca. Ninguém quer viver no meio do nada e ainda por cima ter de cavar batatas.
    Nesta cidade, no meio da confusão do dia a dia, da hipocrisia de muitas vidas, das falsas aparências, da bebedeira do “vende-compra-consome”, esta minha loucura é solidão.
    É por isso que quando encontro alguém que partilha o mesmo tipo de sonho, fico feliz, porque sinto que não estou só na minha loucura. É reconfortante saber que há alguém por ai que sente o mesmo que eu e aspira a algo parecido.
    Afinal, talvez não seja nenhuma utopia.
    Afinal, deve haver um sítio onde as pessoas possam ser verdadeiramente elas.
  3. Esta manhã apanhei o comboio das 7h21, coisa que não fazia há um par de anos. Sentei-me. No banco à minha frente ia um casal que reconheci de imediato. Olhei bem e lembrei-me. Eles estavam sentados nos mesmos bancos de há 2 anos atrás, exactamente no mesmo local – um de frente para o outro, ele a ler um livro, ela uma revista cor-de-rosa. Será possível que nada tenha mudado naquelas duas vidas? Que os horários do comboio não tenham mudado, que outras pessoas não tenham vindo ocupar aqueles lugares, que não se tenham divorciado? Não. O nosso corpo muda, as células envelhecem, mas tudo à nossa volta permanece imutável, como o ir e vir das estações do ano. Pensei para mim “Será que na realidade alguma coisa, alguma vez, muda?”, e depois dei-me conta que também eu estava sentada exactamente no mesmo banco que ocupava há 2 anos atrás!

6 comentários:

miak disse...

Não posso/quero sair de Lisboa. Tenho um tesouro que nem penso em deixar. Mas um dia sonho em envelhecer noutros ares.

just me, an ordinary girl disse...

"espirito inquieto", somos duas!
Quando me perguntam o que eu mais queria da vida eu respondo sempre: ser mais tranquila, "normal", e equilibrada. E tudo culpa desta minha inquietaçao que nao me deixa acomodar, aquietar.

Olha, eu vivo na provincia, e quase toda a minha vida vivi na aldeia. Já tive uma casa com jardim que nao cuidava, e com um terreno imenso onde nunca cultivei nenhuma horta. Na verdade nem sequer regava o limoeiro a nogueira a nespereira e a cerejeira. Sabes, é que a felicidade e o bem estar, acontecem mesmo dentro de nós. Sei que é frase batida, mas é a verdade. (e, na altura, dentro de mim só moravam dores e pavores)
Nunca vivi em lugares agitados e confusos, também nao os posso comentar. Mas sei que as pessoas, há de todas, em todos os lugares!!
Estou a lembrar, que na minha bonita aldeia, a duas casas da minha, morava uma familia de 4 pessoas e o filho, com cerca de 20 anos matou a mae na prazeirosa mata de Leiria, por motivos bem fúteis.

Não sei, muitas vidas são pacatas mas penso que tudo e todos está/estão sempre em mutação. Nada se repete, nenhum instante é igual a outro. Mesmo que pisemos o mesmo chão de há um dia atrás, nós de certo não estamos a pensar o mesmo, nao estamos a sentir mesmas coisas, etc etc.


Desculpa o comentário lonnnnnnnnnngo.
Mil beijinhos meus , para ti!

Montanha Azul disse...

Gostei de te ler e tens razão em tudo o que dizes. Há muito tempo que deixei de crer em lugares perfeitos e de pensar que a felicidade depende dos outros (de pessoas ou coisas).
Mas, há uma fase, também batida, que diz "casa é onde está o nosso coração". E o meu não está aqui. E sabes uma coisa, já experimentei "estar em casa" e percebi que naquele campo (seja ele onde for), naquela horta (tenha ela alfaces ou figueiras), naquela montanha (pequena ou gigante), é onde está o meu coração.
Quanto à história da mudança, não sei se alguma vez tiveste a sensação, por breve que fosse, de te dares conta de algo subitamente. Como se tivesses uma visão ou uma epifania - não foi uma certeza que tive, mas sim outra dúvida profunda que guardarei dentro de mim. Foi isso que me aconteceu ontem, num local tão banal como o comboio, e foi isto que senti - na aparência tudo muda, mas será que na essência isso acontece?

Frederico disse...

Como dizia alguém: "Não é o destino que interessa, mas sim a viagem que se realiza nessa conquista"

Bjkas utópicas
Fred.Nunes
;)

xande disse...

Olá no humanos, temos três fases em nossas vidas, primeira nos temos saúde, tempo e não temos dinheiro , segunda fase temos dinheiro, saúde e não temos tempo, terceira fase temos dinheiro,tempo e não temos tanta saúde. assim devemos conciliar estes três periodos en nossas vidas para fazermos a vida acontecer.

zeladorpublico disse...

Hoje uma amiga falava de felicidade..o que era..que a sua vidinha do dia a dia lhe parecia pouco...precisava de mais.
Que o renque renque diario a assustava.
Pois o tal casal da revista cor de rosa e do livro, bem que podem ser felizes.
Uma vida tranquila, ok..mas feliz.
Não têm que subir montanhas nem sabem das dificuldades que é chegar ao topo de uma bem alta...mas são felizes..eventualmente.
Gostei das fotos, algumas de excepcional beleza.