terça-feira, 31 de março de 2009

Jane Doe

O tempo é como um corpo amputado.
Há no tempo aquela constante sensação de presença mesmo quando ele se acaba. Sentimo-lo à nossa frente, flutuando como uma criança num baloiço, inebriante de trás para a frente (às vezes de frente para trás), sem fim. Há no tempo um membro dormente que dá vontade de afagar, sem preocupação, como se passeássemos a mão pelos cabelos de alguém dizendo "está tudo bem".

Mas o que fazer quando o tempo se esgota? quando a dormência acaba e só existe vazio. O que fazer quando o tempo se conta em meses ou até semanas? Quando as mãos começam a tremer e a caneta nos cai dos dedos. Quando as palavras já só podem crescer dentro das folhas brancas da nossa cabeça. O que fazer quando o tempo está contado e se torna um corpo inteiro e palpável? quando o tempo chega aos dedos e acaba ali na ponta das unhas e depois já não tem mais para onde ir...

6 comentários:

Anonymous disse...

Existem muitos conceitos sobre a morte.
Em algumas comunidades a morte apenas significa uma libertação e noutras comunidades significa uma punição.
Também existem algumas pessoas que são imortais, e por muito que queiramos que elas desapareçam elas continuam por todo o lado, persistem no tempo. Estas ultimas por actos ou condições de vida ficam para sempre nas memórias de quem as conheceu.
Todos os outros que levaram vidas banais desaparecem com o seu óbito.
Eu considero-me uma pessoa banal, mas gosto de estar com amigos que me façam sentir bem.

Falcaodonorte

just me, an ordinary girl disse...

...

Acredito que "na natureza nada se perde, nada acaba tudo se transforma"

e nao sei comentar mais este teu post.

Um beijo grande, para ti!

miak disse...

Vim deixar um olá... e um "até logo" no Duende Feliz.

Bj.

Cruztáceo disse...

fecha.se os olhos e abrem-se portas...

Anonymous disse...

Já li este texto, palavra por palavra, mas não lembro onde... Quem é o autor(a), Montanha Azul?...

Montanha Azul disse...

Eu.