domingo, 2 de novembro de 2014

Too late is a shitty place to be


Talvez seja suficiente para ti saberes que és infinitamente amado, que a paixão te tomou de assalto mesmo que por breves instantes há muito tempo atrás. Que mesmo após todos estes anos te desejo como no primeiro dia, ou ainda mais. Que só tu, sim, só a tua lembrança me faz, ainda hoje, tremer de desejo ao imaginar a ponta dos meus dedos a percorrer cada centímetro da tua pela, a tua boca sôfrega a procurar a minha boca ansiosa, o meu corpo pequeno enlaçado no teu corpo grande e a certeza de que naquele instante estava protegida. Essa lembrança do que não vivemos e que me assola dia após dia, essa ânsia de viver ao teu lado todo o bom e o mau que a vida sempre nos oferece. A certeza de que largaria tudo hoje para ficar contigo, como fiz há tantos anos atrás. Talvez essa certeza seja suficiente para ti.

Temo pelo dia em que percebermos que é tarde demais, porque esse momento é um lugar sem retorno e “tarde demais” é o maior desperdício da vida.


Para mim, na mesma medida, tudo o que sinto é uma tristeza infinita, por saber, com  a mesma certeza, que nunca mais o meu corpo será teu (mesmo que nunca tenha deixado de te pertencer). Que será sempre uma vida dolorosamente incompleta porque nunca partilharei a normalidade contigo, esse pedaço da nossa humanidade exposto aos olhos dos outros. Que não serei capaz de suportar a vida com outra pessoa, porque, por mais que tente, irei sempre preferir passar o resto da vida a sonhar contigo do que passar o resto da vida a fingir que sou de outro.


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