— Como é bela!
— Pois sou – respondeu a flor num murmúrio.
O principezinho teve a intuição de que ela não devia ser nada modesta, mas era tão terna!
Um dia, aludindo aos quatro espinhos que possuía disse ao principezinho:
— Podem vir os tigres com as suas garras! Não receio nada os tigres, mas tenho horror às correntes de ar. (…)
O principezinho teve a intuição de que ela não devia ser nada modesta, mas era tão terna!
Um dia, aludindo aos quatro espinhos que possuía disse ao principezinho:
— Podem vir os tigres com as suas garras! Não receio nada os tigres, mas tenho horror às correntes de ar. (…)
«Havia de não lhe ter dado ouvidos», confidenciou-me um dia, «é preciso nunca dar ouvidos às flores. Apenas se deve olhar para elas e cheirá-las. A minha perfumava-me o planeta, mas eu não era capaz de me deleitar com isso. Aquela história das garras, que tanto me aborreceu, havia antes de me ter enternecido...»
E confidenciou-me ainda: «Naquela altura não fui capaz de compreender! Devia julgá-la pelos actos e não pelas palavras. Ela perfumava e enfeitava. Eu nunca devia ter fugido! Para lá das artimanhas, devia ter adivinhado a sua ternura. As flores são tão incoerentes! Eu era novo de mais para saber amá-la.»
E confidenciou-me ainda: «Naquela altura não fui capaz de compreender! Devia julgá-la pelos actos e não pelas palavras. Ela perfumava e enfeitava. Eu nunca devia ter fugido! Para lá das artimanhas, devia ter adivinhado a sua ternura. As flores são tão incoerentes! Eu era novo de mais para saber amá-la.»
(…) O principezinho pensava nunca mais voltar. Ao regar a flor pela última vez e ao preparar-se para a cobrir com a redoma, reparou que tinha vontade de chorar.
— Adeus — disse à flor.
Ela não respondeu.
— Adeus — repetiu.
A flor tossiu. Mas não por causa da constipação.
— Fui tola — disse, por fim. — Perdoa-me. Trata de ser feliz.
Surpreendeu-o a ausência de censuras. Deteve-se, muito perturbado, com a redoma na mão. Não compreendia aquela afabilidade calma.
— Sabes, eu amo-te — disse a flor. — Nunca to disse, a culpa é minha. Não, faz mal. Mas foste tão tolo como eu. Trata de ser feliz... Deixa aí a redoma. Já não a quero.
— Mas o vento...
— Não estou tão constipada... O ar fresco da noite até me vai fazer bem. Sou uma flor.
— Mas os bichos...
— Terei de suportar duas ou três lagartas se quiser saber como são as borboletas. Dizem que são muito lindas!
Se não, quem virá visitar-me? Tu, tu estarás longe. Quanto aos bichos grandes, não tenho medo nenhum. Tenho as minhas garras.
E mostrou, ingenuamente, os quatro espinhos. Depois prosseguiu:
— Não estejas com delongas, é irritante. Decidiste partir. Vai-te embora.
Porque não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muitíssimo orgulhosa...
— Adeus — disse à flor.
Ela não respondeu.
— Adeus — repetiu.
A flor tossiu. Mas não por causa da constipação.
— Fui tola — disse, por fim. — Perdoa-me. Trata de ser feliz.
Surpreendeu-o a ausência de censuras. Deteve-se, muito perturbado, com a redoma na mão. Não compreendia aquela afabilidade calma.
— Sabes, eu amo-te — disse a flor. — Nunca to disse, a culpa é minha. Não, faz mal. Mas foste tão tolo como eu. Trata de ser feliz... Deixa aí a redoma. Já não a quero.
— Mas o vento...
— Não estou tão constipada... O ar fresco da noite até me vai fazer bem. Sou uma flor.
— Mas os bichos...
— Terei de suportar duas ou três lagartas se quiser saber como são as borboletas. Dizem que são muito lindas!
Se não, quem virá visitar-me? Tu, tu estarás longe. Quanto aos bichos grandes, não tenho medo nenhum. Tenho as minhas garras.
E mostrou, ingenuamente, os quatro espinhos. Depois prosseguiu:
— Não estejas com delongas, é irritante. Decidiste partir. Vai-te embora.
Porque não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muitíssimo orgulhosa...
(in O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry)
2 comentários:
mas ele voltou
:)
Olá Fátima e obrigada pela visita :-)
...sim ele voltou... mas no meu caso foi a "rosa" que partiu...
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