quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O caminho, a bússola, o dragão e o coração



Onde me leva este caminho que percorro? Ando a fugir ou a conquistar o mundo? Que procuro nesta busca constante, nesta insatisfação?
Nos momentos de perdição, quando não sei qual o norte, olho a bússola que tenho à cabeceira. Olho-a na esperança de ter um sinal, mesmo que breve, do que me espera, mas há um silêncio majestoso a vibrar do alto da sua agulha, como que a dizer “... deixa-te encontrar”.

Tento aceitar a vida, o que ela me oferece. Tento ser calma, paciente. Composta e integrada. Mas cá dentro, bem cá no fundo do meu coração há um borbulhar constante de ondas, de neve a cair, de caminhos de pedra e bosques verdejantes, de ar frio a queimar a cara, de céus azuis e estrelados, de uivos de dragões ferozes e estranhos, de horizontes por descobrir.

Às vezes sonho que sou um navegador do passado em busca de uma qualquer terra distante. Terra de monstros ou de ouro. Que o céu nada pode contra a minha alegria e coragem. Braços abertos ao vento como velas. Que lá, no fim do arco-íris ou no cimo das montanhas, encontrarei o que procuro, seja o que for – o descanso ou a glória, algo para sossegar o meu coração. Mas o sossego nunca chega. Nunca chega o contentamento. A doçura que me fica na língua esvai-se depressa e é só fome o que sinto. Mas qual o caminho, qual o norte?

Quando era pequena, deitada na cama à noite, pensava que não era deste planeta. Sentia-me só, diferente, como se não pertencesse a este mundo. Achava que só podia ter vindo aqui parar para uma qualquer missão espacial.
Não rezava a Deus antes de adormecer. Rezava a um qualquer comandante interestelar.
Não pedia pela minha família nem para ter boas notas na escola. Pedia que um dia me viesse procurar, me encontrasse e me levasse finalmente para casa.

3 comentários:

Anonymous disse...

Embora a bússola nos indique o norte... o azimute somos nós que o traçamos, quando somos livres sempre podemos optar pelas melhores rotas e os melhores destinos. Nem sempre o azimute escolhido é o melhor, pois podemos encontrar uma falésia ou um rio de águas bravas, mas como livre que somos podemos optar por outro que nos dê mais prazer.

Mas por outro lado se ficarmos parados indecisos tentando adivinhar qual a melhor escolha, podemos passar uma vida de incertezas com muitas perguntas e poucas respostas.

O bom na vida é podermos escolher, sentir as dificuldades, e mudar o nosso rumo, tentar as rotas que nos dão maior prazer, podermos estar com quem nos sentimos felizes, partilhar os momentos com quem goste de partilhar o mesmo connosco e deixarmo-nos embalar pela brisa quando estamos bem...

Falcaodonorte

Carlos Martins disse...

Não aceites a vida como se fosse uma fatalidade a que tens que obedecer. Aceita-a sim como uma mais valia, fica contente só porque existes, "...pela alegria de viveres, de conheceres os grandes mistérios da vida (Elola)".
Sim... deixa-te encontrar, mostra o que és, o que sentes, o que queres, porque a tua missão é "especial" e o teu comandante anda por aí, não se perdeu... só tens que lhe dar a mão.
Saborea o doce das alegrias e transforma o amargo das tristezas.
Carlos

just me, an ordinary girl disse...

Adorei este post.
Sabes? eu, agora muito mais do que em criança, sinto-me como um ser sem lugar algum. Muito menos aqui...

beijinho.